Sobre ser quem se é…
O que é necessário para ser quem se é?
E qual o custo real disso?
Vale a pena?
Na Psicologia Analítica, esse caminho é chamado de processo de individuação.
Murray Stein descreve assim:
“Como força dinâmica, a individuação remete à tendência inata, uma energia ou impulso, de um ser vivo encarnar-se por completo, tornar-se verdadeiramente ele mesmo no mundo empírico e, no caso dos seres humanos, tomar consciência de quem e do que são.”
(O Mapa da Alma)
Individuar-se é próprio da natureza humana.
Em algum momento, todos somos chamados a nos diferenciar, a nos tornarmos únicos.
A psique nos empurra para isso, mesmo quando resistimos.
E esse caminho não é suave.
Ele pede coragem:
despedidas silenciosas,
desmontar a imagem que sustentamos para nós e para os outros,
buscar respostas,
enfrentar dúvidas,
olhar para o que é sombrio,
sustentar não se encaixar no padrão.
Stein lembra:
“A individuação requer um trabalho psicológico árduo.
Exige a participação integral da pessoa consciente.”
Podemos negar esse processo durante anos, ou a vida inteira.
Podemos seguir repetindo padrões, acreditando que é tudo acaso, sorte ou azar.
Mas essa negação tem um preço profundo, às vezes o maior preço de uma vida.
E o chamado continua:
“A individuação é um imperativo que nos impele à frente e, se bem-sucedida, livra-nos da repetição interminável dos padrões que nos condicionam.”
E então volto à pergunta inicial.
Vale a pena viver levado, sem consciência do para onde, do por quê ou do para quê?
Para mim, não.
Minha vida é minha obra.
Conduzi-la com consciência é a forma mais profunda que conheço de honrar quem eu sou e o modo como sirvo ao mundo.



Autenticidade é algo que está em falta no mundo de hoje. Todos tentam seguir um padrão. Harmonização facial, roupas, modo de falar. Cada vez mais somos levados a parecer com a manada. Individuação hoje em dia é um ato de rebeldia!